SÉRIE: A VIDA E OS ENSINAMENTOS DE JESUS - A SEGUNDA-FEIRA EM JERUSALÉM (54)
Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.
A SEGUNDA-FEIRA EM JERUSALÉMNessa segunda-feira pela manhã, bem cedo, tal como havia sido combinado de antemão, Jesus e os apóstolos reuniram-se na casa de Simão, na Betânia e, após uma troca de idéias breve, partiram para Jerusalém. Os doze mantiveram-se estranhamente silenciosos enquanto caminhavam para o templo; não se haviam recuperado da experiência do dia anterior. Estavam expectantes, temerosos e profundamente afetados por um certo sentimento de distância que tinha a sua origem na mudança de tática adotada pelo Mestre, combinada com a sua instrução para que não se engajassem em nenhum ensinamento público durante essa semana de Páscoa.Enquanto esse grupo descia o monte das Oliveiras, Jesus indo à frente e os apóstolos seguindo imediatamente atrás, em silêncio meditativo, um único pensamento preponderava nas mentes de todos, exceto de Judas Iscariotes, o qual era: o que o Mestre fará hoje? O único pensamento que absorvia Judas era: O que farei? Devo continuar com Jesus e os meus companheiros, ou devo retirar-me? E se eu resolver abandonar tudo, como vou fazer esse rompimento?Por volta de nove horas dessa bela manhã, esses homens chegaram ao templo. Foram imediatamente para a ampla praça onde Jesus ensinara tão freqüentemente e, após saudar os crentes que o aguardavam, Jesus subiu em uma das plataformas para os instrutores e começou a falar à multidão que se reunia. Os apóstolos mantiveram-se a uma curta distância e esperaram os acontecimentos.1. A PURIFICAÇÃO DO TEMPLOUm imenso tráfico comercial havia surgido em função dos serviços, das cerimônias e do culto no templo. Era o comércio que provia os animais adequados aos vários sacrifícios. Embora fosse permitido que os fiéis trouxessem o próprio animal do sacrifício, persistia o fato de que esse animal devesse estar livre de toda “mancha” no sentido dado pela lei levítica e segundo a interpretação dos inspetores oficiais do templo. Muitos dos fiéis haviam passado pela humilhação de ter o seu animal supostamente perfeito rejeitado pelos examinadores do templo. Por isso tornou-se uma prática comum comprar, no templo, os animais para o sacrifício e, embora houvesse vários postos perto do monte das Oliveiras onde pudessem ser comprados, tinha tornado-se moda comprar esses animais diretamente dos cercados do templo. Gradualmente cresceu o costume de se vender todas as espécies de animais de sacrifício nas praças do templo. E, assim, passou a existir um negócio extenso, no qual lucros enormes eram auferidos. Uma parte desses ganhos era reservada ao tesouro do templo; a maior parte, contudo, ia indiretamente para as mãos das famílias dos altos sacerdotes no poder.Essa venda de animais no templo prosperou porque, quando o fiel comprava um tal animal, embora o preço fosse ser tanto mais alto, nenhuma taxa mais tinha de ser paga; e o fiel podia estar seguro de que o sacrifício proposto não seria rejeitado sob o pretexto de que o animal possuiria defeitos técnicos ou imaginários. De quando em quando, um sistema de preços exorbitantes era praticado para com a gente comum, especialmente durante as grandes festas nacionais. Em outros momentos, os sacerdotes de maior cobiça chegavam a cobrar o equivalente a uma semana de trabalho por um par de pombas, o qual poderia bem ser vendido ao pobre por uns poucos centavos. Os “filhos de Anás” haviam começado já a estabelecer os seus bazares nos recintos do templo; aqueles mesmos mercados de gêneros que perduraram até o momento em que foram, afinal, destruídos pelos populares, três anos antes da destruição do próprio templo.O tráfico de animais e de outras mercadorias para o sacrifício, entretanto, não era o único modo pelo qual se profanava as praças do templo. Nessa época havia se fomentado um sistema extenso de intercâmbio bancário e comercial, que foi levado até para dentro dos recintos do templo. E tudo isso acontecera do seguinte modo: durante a dinastia dos asmoneanos, os judeus cunhavam as suas próprias moedas de prata, e, havendo sido estabelecida a prática de exigir-se que os tributos no valor de meio siclo, ao templo, todas as outras taxas do templo eram pagas nessa moeda judaica. Tal regulamentação tornava necessário que se licenciassem cambistas para converter as muitas moedas em circulação, na Palestina e em outras províncias do império romano, por esse siclo ortodoxo de cunhagem judaica. A taxa do templo, por pessoa, pagável por todos, exceto pelas mulheres, escravos e menores, era de meio siclo, uma moeda de aproximadamente um centímetro de diâmetro e larga espessura. Na época de Jesus os sacerdotes estavam isentos também do pagamento das taxas do templo. E, desse modo, entre os dias 15 e 25 do mês anterior à Páscoa, os cambistas autorizados instalavam os seus postos nas principais cidades da Palestina, com o propósito de fornecer ao povo judeu a moeda adequada para pagar as taxas do templo quando estivesse em Jerusalém. Depois desse período de dez dias, os cambistas iam para Jerusalém e continuavam com as suas mesas de câmbio nas praças do templo. Era-lhes permitido cobrar uma comissão equivalente a três ou quatro cêntimos pela troca de uma moeda cujo valor era de cerca de dez cêntimos, e caso uma moeda de maior valor fosse oferecida para a troca, era-lhes permitido cobrar em dobro. Do mesmo modo esses banqueiros do templo recebiam com lucros pela troca de qualquer dinheiro destinado à compra de animais para sacrifício, ou destinado ao pagamento de votos e oferendas.Esses cambistas do templo não apenas efetuavam os negócios bancários pelo lucro no câmbio, de mais de vinte moedas diferentes, que os peregrinos visitantes traziam periodicamente a Jerusalém, mas também participavam de todas as outras espécies de transações pertinentes ao negócio bancário. E, tanto o tesouro do templo quanto os seus dirigentes, lucravam tremendamente com essas atividades comerciais. Não era incomum que o tesouro do templo guardasse o equivalente a mais de dez milhões de dólares, enquanto a gente comum definhava na pobreza e continuava a pagar arrecadações injustas.Nessa segunda-feira pela manhã, em meio à multidão barulhenta de cambistas, de mercadores e de vendedores de gado, Jesus tentou ensinar o evangelho do Reino do céu. E não era ele o único a ressentir-se dessa profanação do templo; a gente comum, especialmente de visitantes judeus de províncias estrangeiras, também se ressentia sinceramente dessa profanação especulativa da casa nacional do seu culto. Nessa época, o próprio sinédrio mantinha as suas reuniões regulares em uma sala cercada por todo esse murmúrio e confusão de comércio e de câmbio.No momento em que Jesus estava para começar a falar, duas coisas aconteceram que prenderam a sua atenção. Na mesa de dinheiro de um cambista por perto, havia surgido uma discussão violenta e calorosa, sobre uma comissão muito elevada, cobrada a um judeu de Alexandria, enquanto ao mesmo tempo a atmosfera ali foi rompida pelos mugidos de uma manada de uns cem bois os quais estavam sendo conduzidos de um setor dos currais para outro. Quando deteve-se, contemplando, silenciosa mas pensativamente, essa cena de comércio e confusão, Jesus observou, perto de si, um cândido galileu, um homem com quem ele certa vez havia falado em Iron, sendo ridicularizado e empurrado por uns judeus arrogantes e pretensiosamente metidos a superiores; e, tudo isso combinado, produziu um dos estranhos acessos periódicos de indignação emotiva na alma de Jesus.Para assombro dos seus apóstolos, que estavam por perto, e que se abstiveram de participar naquilo que logo aconteceu, Jesus desceu da plataforma de instrutor e dirigiu-se ao garoto que estava conduzindo o gado pela praça, tomou dele o chicote de cordas e rapidamente tirou os animais do templo. Isso, todavia, não foi tudo; a passos largos, e majestosamente, diante do olhar assombrado dos milhares de pessoas reunidas na praça do templo, Jesus dirigiu-se ao curral mais distante e pôs-se a abrir as porteiras de todos os currais e a colocar para fora os animais aprisionados. Nesse momento os peregrinos ali reunidos ficaram exaltados e, em uma gritaria tumultuada, foram até os bazares e começaram a virar as mesas dos cambistas. Em menos de cinco minutos, todo o comércio foi varrido do templo. No instante em que os guardas romanos da vizinhança surgiram em cena, tudo já havia sido aquietado e a multidão já se encontrava comportada; e Jesus, voltando à plataforma do orador, disse à multidão: “Vós testemunhastes, neste dia, o que está escrito nas escrituras: ‘A minha casa será chamada de uma casa de oração para todas as nações, mas fizestes dela um covil de ladrões’”.Antes, contudo, de Jesus poder dizer outras palavras mais, a grande multidão irrompeu em hosanas de louvação e, logo em seguida, um grande grupo de jovens, saindo da multidão, cantou hinos de gratidão, por os mercadores profanos e usurários haverem sido expulsos do templo sagrado. Nesse momento alguns dos sacerdotes tinham chegado ao local, e um deles disse a Jesus: “Não ouvis o que os filhos dos levitas dizem?” E o Mestre respondeu: “Nunca lestes: ‘da boca das crianças e dos lactentes a louvação saiu perfeita?’” Durante todo o restante daquele dia, enquanto Jesus ensinava, os guardas colocados pelo povo vigiavam em cada arco de entrada, e não permitiriam que ninguém levasse sequer uma vasilha vazia pelas praças do templo.Quando os principais sacerdotes e os escribas ouviram contar sobre esses acontecimentos, ficaram sem fala. Quanto mais temiam o Mestre, mais ficavam determinados a destruí-lo. Mas se sentiam confusos. Não sabiam como executar a sua sentença de morte, por temeram bastante as multidões, que agora expressavam abertamente a sua aprovação pela expulsão dos especuladores profanos. E, durante todo esse dia, um dia de paz e de tranqüilidade nas praças do templo, o povo ouviu aquele ensinamento e manteve-se literalmente suspenso pelas palavras do Mestre.Essa ação surpreendente de Jesus estava além da compreensão dos seus apóstolos. Eles ficaram tão desconcertados pela ação repentina e inesperada do seu Mestre, que permaneceram agrupados, durante todo o episódio, perto da plataforma do orador; e não levantaram sequer um dedo para ajudar nessa limpeza do templo. Se esse acontecimento espetacular tivesse ocorrido no dia anterior, no momento da chegada triunfal de Jesus ao templo, no término da sua tumultuada procissão pelos portões da cidade, todo o tempo aclamado em altos brados pela multidão, eles teriam estado prontos para tudo, mas, vindo como veio, ninguém se encontrava absolutamente preparado para participar.Essa purificação do templo mostra a atitude do Mestre para com a comercialização das práticas da religião, bem como a sua abominação por todas as formas de injustiças e de extorsão dos pobres e dos ignorantes. O episódio demonstra também que Jesus não via com aprovação a renúncia de empregar a força para proteger a maioria de um certo grupo humano qualquer, contra as práticas desleais e escravizadoras de minorias injustas, as quais podem entrincheirar-se por detrás do poder político, financeiro ou eclesiástico. Não se deve permitir que homens astuciosos, perversos e artificiosos organizem-se para a exploração e opressão daqueles que, por causa do seu idealismo, não estão dispostos a recorrer à força para a autoproteção ou para a execução dos seus projetos dignos de louvor.2. DESAFIANDO A AUTORIDADE DO MESTREA entrada triunfal em Jerusalém, no domingo, intimidara tanto os líderes judeus que eles se abstiveram de prender Jesus. Hoje, essa purificação espetacular do templo, do mesmo modo, adiou efetivamente a prisão do Mestre. Dia a dia, os dirigentes dos judeus tornavam-se cada vez mais determinados a destruí-lo, mas ficavam perturbados por dois medos, que conspiraram para retardar a hora de desferir o golpe. Os principais sacerdotes e os escribas não estavam dispostos a prender Jesus em público, por medo de que a multidão se voltasse contra eles na fúria do ressentimento; eles também temiam a possibilidade de terem de convocar os guardas romanos para sufocar uma revolta popular.Na sessão do sinédrio, ao meio-dia, ficou decidido por unanimidade que Jesus devia ser rapidamente destruído, já que nenhum amigo do Mestre comparecera a essa reunião. Contudo, não conseguiram chegar a um consenso quanto ao momento e à maneira de prendê-lo. Finalmente concordaram em apontar cinco grupos para se misturarem ao povo e, assim, buscar enredá-lo nos próprios ensinamentos ou, de algum outro modo, colocá-lo em descrédito perante aqueles que ouviam o seu ensinamento. E, assim, por volta das duas horas, quando Jesus mal havia iniciado a sua palestra sobre “A Liberdade da Filiação”, um grupo desses anciães de Israel abriu caminho até perto de Jesus e, interrompendo-o da maneira costumeira, fizeram esta pergunta: “Com qual autoridade tu fazes essas coisas? Quem te deu essa autoridade?”Era de todo próprio que os dirigentes do templo e os oficiais do sinédrio judeu devessem fazer essa pergunta a qualquer um que presumisse ensinar e atuar de modo extraordinário, como havia sido característico de Jesus, especialmente no que concernia à sua conduta recente de retirar todo o comércio do templo. Esses comerciantes e cambistas operavam todos com a licença direta dos dirigentes mais altos; e uma percentagem dos seus ganhos, supunha-se, ia diretamente para o tesouro do templo. Não vos esqueçais de que autoridade era a senha para todo o mundo judeu. Os profetas estavam sempre suscitando problemas posto que, tão ousadamente, presumiam ensinar, sem autoridade, sem terem sido devidamente instruídos nas academias rabínicas e sem serem ordenados regularmente pelo sinédrio. A falta dessa autoridade, em pregações públicas pretensiosas, era considerada como indicadora de atrevimento ignorante ou de rebelião aberta. Nessa época, apenas o sinédrio poderia ordenar um ancião ou um instrutor; e a cerimônia para tal havia de ter lugar na presença de pelo menos três pessoas que tivessem sido assim anteriormente ordenadas. Tal ordenação conferia o título de “rabino” ao instrutor e também o qualificava para atuar como juiz, “obrigando ou desobrigando as questões que poderiam ser levadas a ele para julgamento”.Nessa hora da tarde, os dirigentes do templo vieram perante Jesus, não apenas desafiando o seu ensinamento, mas também os seus atos. Jesus bem sabia que esses mesmos homens há muito vinham afirmando publicamente que a sua autoridade para ensinar era satânica, e que todas as suas obras poderosas haviam sido realizadas pelo poder do príncipe dos demônios. O Mestre, por conseguinte, começou a sua resposta à pergunta deles fazendo-lhes uma contrapergunta. Disse Jesus: “Eu gostaria de fazer-lhes uma pergunta que, se me responderdes, eu da mesma forma dir-vos-ei por meio de qual autoridade eu faço essas obras. De onde procede o batismo de João? João obteve a sua autoridade dos céus ou dos homens?”E quando os seus interrogadores ouviram isso, retiraram-se de lado para aconselharem-se entre si quanto à resposta que deveriam dar. Haviam pensado em embaraçar Jesus diante da multidão, mas agora encontravam-se muito mais confundidos diante de todos que estavam reunidos naquele momento na praça do templo. E a derrota deles tornou-se ainda mais aparente quando voltaram dizendo a Jesus: “A respeito do batismo de João, não podemos responder; não sabemos”. E assim responderam ao Mestre após haverem argumentado entre si: se dissermos que vinha do céu, então ele nos perguntará por que não acreditamos nele, e, talvez, ainda acrescente que recebeu a sua autoridade de João; e se dissermos que provinha dos homens, então a multidão poderia voltar-se contra nós, pois a maioria deles sustenta que João foi um profeta. Desse modo eles viram-se obrigados, perante Jesus e o povo, a confessar que, mesmo sendo instrutores e líderes religiosos de Israel, não podiam (ou não queriam) expressar uma opinião sobre a missão de João. E depois que eles falaram, Jesus, abaixando os olhos até eles, disse: “Eu, tampouco, dir-vos-ei por autoridade de quem eu faço essas coisas”.Jesus nunca teve a intenção de recorrer à autoridade de João; João nunca fora ordenado pelo sinédrio. A autoridade de Jesus estava nele próprio e na supremacia eterna do seu Pai.Ao empregar esse método para lidar com os seus adversários, Jesus não teve a intenção de evadir-se da pergunta. A princípio poderia parecer que ele fosse culpado de uma evasiva magistral, mas isso não aconteceu. Jesus nunca se dispôs a tirar uma vantagem injusta, nem mesmo dos seus inimigos. Na sua evasiva aparente, ele realmente ofereceu a todos os seus ouvintes a resposta à pergunta dos fariseus sobre a autoridade que estava por trás da sua missão. Eles haviam afirmado que Jesus atuava pela autoridade do príncipe dos demônios. E ele havia repetidamente dito que todos os seus ensinamentos e obras vinham do poder e da autoridade do seu Pai nos céus. E a isso os líderes judeus recusaram-se aceitar; e buscavam acossá-lo, levando-o a admitir que era um instrutor irregular, já que nunca havia sido sancionado pelo sinédrio. Ao responder a eles como o fez, embora sem pretender que a sua autoridade viesse de João, ele satisfez ao povo com a conclusão de que o esforço dos seus inimigos, para pegá-lo em uma armadilha, efetivamente havia recaído sobre eles próprios e os desacreditava aos olhos de todos ali presentes.E tal genialidade do Mestre, para lidar com os seus adversários, era o que os deixava com tanto medo dele. E não tentaram mais perguntar nada naquele dia; retiraram-se para aconselhar-se ainda mais entre si. O povo, contudo, não demorou em discernir a desonestidade e a insinceridade nessas perguntas feitas pelos dirigentes judeus. Mesmo a gente comum não podia deixar de diferençar entre a majestade moral do Mestre e a hipocrisia insidiosa dos seus inimigos. Contudo, a limpeza do templo havia levado os saduceus a unirem-se aos fariseus, no aperfeiçoamento do plano para destruir Jesus. E os saduceus agora representavam a maioria no sinédrio.3. PARÁBOLA DOS DOIS FILHOSEnquanto os capciosos fariseus permaneciam ali diante de Jesus, em silêncio, ele abaixou os olhos para encará-los e dizer: “Posto que tendes dúvidas sobre a missão de João e já que estais coligados, em inimizade, contra os ensinamentos e obras do Filho do Homem, prestai atenção à parábola que irei contar-vos: Um certo dono de terras, grande e respeitado, possuía dois filhos e, desejando a ajuda dos seus filhos na administração das suas extensas propriedades, veio até um deles e disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje no meu vinhedo’. E esse filho irrefletido respondeu ao pai dizendo: ‘Eu não irei’; mas arrependeu-se depois e foi. Quando se encontrou com o filho mais velho, disse-lhe do mesmo modo: ‘Filho, vá trabalhar no meu vinhedo’. E esse filho, hipócrita e infiel, respondeu: ‘Sim, meu pai, eu irei’. Mas quando o seu pai distanciou-se, ele não foi. Deixe que eu vos pergunte, qual desses filhos realmente fez a vontade do seu pai?”E o povo falou em uma só voz, dizendo: “O primeiro filho”. E então Jesus disse: “Assim é; e agora eu declaro que publicanos e prostitutas, ainda que pareçam negar-se ao chamado de arrependimento, verão o erro do seu caminho e irão para o Reino de Deus, antes de vós, que têm grandes pretensões de servir ao Pai nos céus, mas que recusais a fazer as obras do Pai. Não fostes vós, fariseus e escribas, que crestes em João, mas foram, sim, os publicanos e os pecadores; e vós não acreditais nos meus ensinamentos, mas o povo comum ouve as minhas palavras com contentamento”.Jesus não desprezou os fariseus e os saduceus pessoalmente. Ele buscou desacreditar, na verdade, os seus sistemas de ensino e de prática. Ele não foi hostil a nenhum homem, mas ocorre, em tudo isso, um choque inevitável entre uma religião nova e viva, do espírito, e a religião velha, da cerimônia, da tradição e da autoridade.Os doze apóstolos, durante todo esse tempo, permaneceram perto do Mestre; mas, de nenhum modo participaram desses atos. Cada um dos doze reagia, de uma maneira própria e peculiar, aos acontecimentos desses últimos dias na ministração de Jesus na carne; e cada um deles, igualmente, permaneceu obediente ao comando, do Mestre, para que se abstivesse de qualquer ensinamento e pregação públicos durante essa semana de Páscoa.4. PARÁBOLA DO PROPRIETÁRIO AUSENTEQuando os principais fariseus e escribas, que haviam procurado envolver Jesus com as suas perguntas, terminaram de ouvir a história dos dois filhos, retiraram-se para um novo aconselhamento; e o Mestre, voltando a sua atenção para a multidão atenta, contou uma outra parábola:“Havia um homem bom que era dono de uma propriedade e que plantou um vinhedo. Colocou uma cerca em volta da plantação, cavou uma vala para prensar uva e construiu uma torre-de-vigia para os guardas. Então, deixou o vinhedo para uns arrendatários, enquanto saiu em uma longa viagem a um outro país. Quando a estação das frutas se aproximou, ele enviou serviçais aos arrendatários, para receber o aluguel. Todavia, eles consultaram entre si e recusaram-se a dar àqueles serviçais as frutas que deviam ao senhor deles; além disso, agrediram os serviçais, batendo em um deles, apedrejando outro e mandando os outros embora, de mãos vazias. Quando o proprietário soube de tudo isso, enviou outros serviçais, de maior confiança, para negociar com esses arrendatários perversos; a estes, eles feriram e trataram também de modo vergonhoso. E então o proprietário enviou o seu serviçal favorito, o seu administrador; e eles mataram-no. E ainda, com toda a paciência e indulgência, ele despachou muitos outros serviçais; mas a nenhum eles receberiam. Em alguns, eles bateram; a outros eles os mataram. E quando o proprietário se viu tratado dessa maneira, decidiu enviar o seu filho para lidar com esses arrendatários ingratos, dizendo a si próprio: ‘Eles podem destratar os meus serviçais, mas certamente demonstrarão respeito pelo meu filho amado’. Mas, quando esses arrendatários perversos e sem arrependimento viram o filho, eles raciocinaram entre si: ‘Este é o herdeiro; vinde, vamos matá-lo e então a herança será nossa’. E assim eles agarraram-no e, depois de jogá-lo para fora do vinhedo, eles o mataram. Quando o senhor daquele vinhedo souber como eles rejeitaram e mataram o seu filho, o que ele fará àqueles homens ingratos e perversos?”O povo, ao ouvir essa parábola e a pergunta que Jesus haia feito, respondeu: “Ele irá destruir esses homens miseráveis e arrendará o seu vinhedo a outros agricultores honestos, que lhe entregarão as frutas na estação certa”. Quando alguns entre os que estavam ouvindo, perceberam que essa parábola referia-se à nação judaica, ao tratamento que ela havia dispensado aos profetas e à rejeição iminente de Jesus e do evangelho do Reino, eles disseram com tristeza: “Que Deus proíba que continuemos a fazer essas coisas”.Jesus viu um grupo de saduceus e fariseus abrindo caminho na multidão; e, então, parou um pouco, até que eles chegassem perto dele, quando então disse: “Vós sabeis como os vossos pais rejeitaram os profetas; e bem sabeis que, no vosso coração, já decidistes rejeitar o Filho do Homem”. Na ocasião, olhando perscrutadoramente para esses sacerdotes e anciães que permaneciam na sua frente, Jesus disse: “Já lestes nas escrituras sobre a pedra que os construtores rejeitaram e que, quando o povo a descobriu, foi convertida na pedra angular? Assim, uma vez mais eu vos previno de que, se continuardes a rechaçar a esse evangelho, em breve o Reino de Deus será tirado de vós e dado a um povo disposto a receber as boas-novas e a conceber os frutos do espírito. E há um mistério a respeito dessa pedra, pois aquele que cai sobre ela, ainda que se rompa em pedaços, será salvo; mas aquele, sobre o qual essa pedra cair, será convertido em pó e as suas cinzas jogadas aos quatro ventos”.Ao ouvirem essas palavras, os fariseus compreenderam que Jesus referia-se a eles próprios e aos outros líderes judeus. Eles desejavam ardentemente prendê-lo ali e naquele momento, mas temiam a multidão. Contudo, estavam tão enraivecidos com as palavras do Mestre que se retiraram e organizaram outro conselho, entre eles, para saber como poderiam levá-lo à morte. E, naquela noite, os saduceus e os fariseus uniram as mãos para planejar pegá-lo no dia seguinte.5. PARÁBOLA DA FESTA DE CASAMENTOApós haverem-se retirado, os escribas e os dirigentes, Jesus dirigiu-se uma vez mais à multidão reunida e contou a parábola da festa de casamento. Ele disse:“O Reino do céu pode ser comparado a um certo rei que fez uma festa de casamento para o seu filho e despachou mensageiros para chamar todos aqueles que haviam sido previamente convidados para a festa, dizendo: ‘Tudo está pronto para a ceia de casamento no palácio do rei’. Nisso, muitos daqueles que haviam prometido comparecer, desta vez negaram-se a ir. Quando o rei soube dessas recusas ao seu convite, enviou outros servos e mensageiros, dizendo: ‘Comunicai a todos aqueles que foram convidados, para virem, pois, eis que o meu jantar está pronto. Os meus bois e os animais mais gordos foram mortos, e tudo está mais que pronto para a celebração do casamento vindouro do meu filho’. E novamente os convidados negligentes fizeram pouco desse chamado do seu rei, e tomaram os seus caminhos; um foi para a fazenda, outro para a cerâmica e outros para as suas mercadorias. Outros, ainda, não contentes em menosprezar assim o convite do rei, em uma rebelião aberta, pegaram os seus mensageiros e maltrataram-nos vergonhosamente, matando mesmo alguns deles. Quando percebeu que os hóspedes selecionados, até mesmo aqueles que haviam aceitado o seu convite anterior e que haviam prometido comparecer às festas das bodas, por fim rejeitaram esse convite e em rebelião atacaram e mataram os mensageiros escolhidos, o rei ficou extremamente encolerizado. E, então, esse rei insultado instruiu os seus exércitos e os exércitos dos seus aliados para que destruíssem os assassinos rebeldes e incendiassem a sua cidade.“Depois de haver punido àqueles que tinham desdenhado o seu convite, ele designou ainda um outro dia para a festa de casamento e disse aos seus mensageiros: ‘Aqueles que foram os primeiros convidados para o casamento não são dignos; desse modo ide agora às encruzilhadas das estradas e até além das fronteiras da cidade e, a quantos encontrardes, convidai-os, ainda que sejam estrangeiros, para virem e comparecerem a esta festa de bodas’. E, então, esses servidores foram às estradas e aos locais fora da rota e reuniram tantos quantos encontraram, os bons e os maus, os ricos e os pobres, de modo que afinal a sala de casamento ficasse repleta de convivas dispostos. Quando tudo estava pronto, o rei veio para ver os convidados, e, para sua surpresa, viu um homem sem a roupa nupcial. O rei, havendo fornecido livremente as roupas das bodas para todos os convidados, dirigindo-se a esse homem, disse: ‘Amigo, como é que vens à sala dos convidados, nesta ocasião, sem uma roupa de casamento?’ E esse homem desprevenido ficou calado. Então o rei disse aos seus serviçais: ‘Expulsem da minha casa este convidado sem consideração. E que ele compartilhe da sorte de todos os outros que desprezaram a minha hospitalidade e rejeitaram o meu chamado. Não terei aqui ninguém, a não ser aqueles que se regozijam de aceitar o meu convite, e que me honram ao vestir as roupas de convidados gratuitamente oferecidas a todos’”.Depois de contar essa parábola, Jesus estava a ponto de despedir a multidão, quando um crente comiserado, abrindo caminho por entre os grupos, até chegar a ele, perguntou: “Mas, Mestre, como saberemos sobre essas coisas? Como estaremos prontos para o convite do rei? Que sinal tu darás para que saibamos que és o Filho de Deus?” E quando o Mestre ouviu isso, ele disse: “Apenas um sinal vos será dado”. E então, apontando para o próprio corpo, ele continuou: “Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei”. Mas eles não o compreenderam e, enquanto dispersavam-se conversaram entre si, dizendo: “Este templo está sendo construído há quase cinquenta anos, e ele ainda diz que o destruirá e o reconstruirá em três dias”. Mesmo os seus apóstolos não compreenderam o significado dessa afirmação, mas, posteriormente, depois da sua ressurreição, eles recordaram-se do que Jesus havia dito.Por volta de quatro horas, nessa tarde, Jesus acenou para os seus apóstolos e indicou que desejava deixar o templo e ir à Betânia para a sua refeição e para descansar naquela noite. Na subida do monte das Oliveiras, Jesus indicou a André, a Filipe e a Tomé que, no dia seguinte, deveriam estabelecer um acampamento mais próximo da cidade, para poderem ocupá-lo durante o restante da semana da Páscoa. Em cumprimento a essa instrução, na manhã seguinte, colocaram as suas tendas em uma ravina inclinada que dominava o parque de acampamento público do Getsêmane, em um pequeno terreno que pertencia a Simão da Betânia.E, novamente, era um grupo de judeus silenciosos, aquele que subiu a rampa oeste do monte das Oliveiras, nesse domingo à noite. Esses doze homens, como nunca antes, começavam a sentir que alguma coisa trágica estava para advir. Embora a dramática purificação do templo, durante aquela manhã, houvesse renovado as esperanças de ver o Mestre impor-se, manifestando os seus altos poderes, os acontecimentos de toda a tarde resultaram mais em um anticlímax apenas, pois indicavam todos uma rejeição certa dos ensinamentos de Jesus, da parte das autoridades judaicas. Os apóstolos, que estavam já tomados pela dúvida, se viram presos pela forte garra de uma incerteza terrível. Deram-se conta de que uns poucos e curtos dias, apenas, interpunham-se entre os acontecimentos do dia que passava e o colapso de uma fatalidade iminente. Todos sentiam alguma coisa terrível por acontecer, mas não sabiam o que esperar. E foram para os seus vários locais de descanso, mas dormiram pouquíssimo. Até mesmo os gêmeos Alfeus, afinal, foram despertados para a compreensão de que os acontecimentos da vida do Mestre estavam rapidamente atingindo a sua culminação final.CLIQUE AQUI (VIDA E ENSINAMENTOS DE JESUS) para acompanhar as partes seguintes.CLIQUE AQUI para baixar O Livro de Urântia, é grátis e livre para distribuição!M.M - http://minhamestria.blogspot.com/C.R.A - http://a-casa-real-de-avyon.blogspot.com/
SÉRIE: A VIDA E OS ENSINAMENTOS DE JESUS - A ENTRADA EM JERUSALÉM (53)
Esta série foi extraída do Livro de Urântia. Os 77 capítulos, mais de 700 páginas, que ocupam um terço do livro, dão dia a dia, toda a vida de Jesus Cristo desde sua infância. Dão 16 vezes mais informações sobre a vida e os ensinamentos de Jesus do que a Bíblia. É o relato mais espiritual sobre Jesus até hoje escrito.
A ENTRADA EM JERUSALÉMJesus e os apóstolos chegaram à Betânia pouco depois das quatro horas, na sexta-feira à tarde, 31 de março, do ano 30 d.C. Lázaro, as suas irmãs e os amigos deles aguardavam. E, já que tanta gente vinha durante todo o dia, para falar com Lázaro sobre a sua ressurreição, Jesus foi informado de que haviam sido feitos arranjos para que se alojasse com um crente da vizinhança, um certo Simão, o qual, desde a morte do pai de Lázaro, passou a ser o principal cidadão da pequena aldeia.Naquela tarde, Jesus recebeu muitos visitantes, e a gente comum da Betânia e Betfagé deu o melhor de si para fazê-lo sentir-se bem-vindo. Embora muitos pensassem que agora Jesus estava indo para Jerusalém, em um total desafio ao decreto de morte do sinédrio, para proclamar-se rei dos judeus, a família da Betânia – Lázaro, Marta e Maria – compreendia mais profundamente que o Mestre não era aquela espécie de rei; e eles sentiram vagamente que esta poderia ser a sua última visita a Jerusalém e à Betânia.Os sacerdotes principais estavam informados de que Jesus alojara-se na Betânia, mas julgaram que seria melhor não tentar apanhá-lo dentre os seus amigos; decidiram esperar a sua vinda a Jerusalém. Jesus sabia sobre tudo isso, mas se encontrava esplendidamente calmo; os seus amigos nunca o haviam visto mais tranquilo e amável; mesmo os apóstolos estavam espantados de que ele estivesse tão despreocupado, sendo que o sinédrio havia convocado todo o mundo judeu a entregá-lo nas suas mãos. Enquanto o Mestre dormia, naquela noite, os apóstolos velavam por ele, dois a dois, e muitos deles estavam armados com espadas. Bem cedo, nessa manhã, eles foram acordados por centenas de peregrinos que vieram de Jerusalém, mesmo sendo um dia de sábado, para ver Jesus e Lázaro; o mesmo que Jesus havia ressuscitado dos mortos.1. O SÁBADO NA BETÂNIAOs peregrinos vindos de fora da Judéia, bem como as autoridades judaicas, se haviam perguntado: “O que acha? Jesus virá para a festa?” Portanto, quando o povo ouviu dizer que Jesus estava na Betânia, ficou contente, os sacerdotes principais e os fariseus, todavia, se revelaram um tanto perplexos. Estavam contentes de tê-lo sob a sua jurisdição, mas ficaram um pouco desconcertados com a ousadia dele; lembraram-se de que, na sua visita anterior à Betânia, Lázaro havia ressuscitado dos mortos, e Lázaro estava transformando-se em um grande problema para os inimigos de Jesus.Depois da festa do sábado, à tarde, seis dias antes da Páscoa, toda a Betânia e Betfagé juntaram-se para celebrar a chegada de Jesus, com um banquete público na casa de Simão. Essa ceia deu-se em honra de Jesus e de Lázaro, e foi oferecida em desafio ao sinédrio. Marta orientou o serviço da comida; a sua irmã Maria estava entre as mulheres espectadoras, pois era contra o costume dos judeus que uma mulher tivesse assento em um banquete público. Os agentes do sinédrio encontravam-se presentes, mas eles temiam apreender Jesus no meio dos seus amigos.Jesus conversou com Simão sobre o Joshua de outrora, cujo nome era homônimo seu; e contou como Joshua e os israelitas haviam vindo a Jerusalém, passando por Jericó. Ao comentar sobre a lenda da queda das paredes de Jericó, Jesus disse: “Eu não me preocupo com paredes de tijolos e de pedra; mas gostaria que as paredes do preconceito, da presunção e do ódio desmoronassem diante desta pregação sobre o amor que o Pai tem por todos os homens”.O banquete continuou de um modo bastante alegre e normal, afora o fato de que todos os apóstolos estavam mais sérios do que de costume. Jesus encontrava-se excepcionalmente alegre e tinha estado brincando com as crianças até o momento de dirigir-se à mesa.Nada de extraordinário aconteceu até perto do final do festim, quando Maria, a irmã de Lázaro, saiu do grupo das mulheres espectadoras e, indo até onde Jesus estava reclinado como hóspede de honra, pôs-se a abrir um grande frasco de alabastro de um unguento muito raro e caro; e, depois de ungir a cabeça do Mestre, começou a ungir os seus pés e logo tomou os próprios cabelos para, com eles, enxugar-lhe os pés. Toda a casa começou a preencher-se com o odor do unguento, e todos os presentes assombraram-se com o que Maria estava fazendo. Lázaro nada disse; mas quando algumas das pessoas murmuraram, mostrando indignação por um unguento tão caro ser utilizado assim, Judas Iscariotes deu alguns passos até onde André estava reclinado e disse: “Por que não se teria vendido esse unguento para dedicar o dinheiro a alimentar os pobres? Devias falar com o Mestre para que ele repreenda tal desperdício”.Jesus, sabendo o que eles pensavam e ouvindo o que diziam, colocou a sua mão sobre a cabeça de Maria, que estava ajoelhada a seu lado e, com uma expressão bondosa no rosto, ele disse: “Deixai-a em paz, todos vós. Por que a importunais por isso, vendo que ela fez uma coisa boa, segundo o seu coração? A vós, que murmurais e que dizeis que esse unguento deveria ter sido vendido para que o dinheiro fosse dado aos pobres, deixai que eu diga que tendes os pobres sempre convosco, de modo que podeis ministrar a eles a qualquer momento que parecer conveniente para vós; mas eu não estarei sempre convosco, em breve irei para junto do meu Pai. Essa mulher há muito guarda esse unguento para o meu corpo, quando for enterrado, e agora que lhe pareceu bom fazer esta unção, em antecipação à minha morte, a ela não lhe será negada essa satisfação. Com isso, Maria lança a sua reprovação a todos vós, pois com esse ato ela evidencia fé no que eu disse sobre a minha morte e ascensão até meu Pai no céu. Essa mulher não será reprovada pelo que faz esta noite; entretanto, antes, eu digo a vós que, nas idades que virão, em todos os lugares por onde esse evangelho for pregado, o que ela fez será comentado em memória dela”.Por causa dessa repreensão, que foi tomada como uma reprovação pessoal, Judas Iscariotes finalmente decidiu buscar vingança para as suas mágoas. Muitas vezes ele alimentou esse tipo de idéia subconscientemente, mas agora ousava ter esses pensamentos perversos na sua mente, de modo aberto e consciente. E muitos outros convivas encorajaram-no nessa atitude, pois o custo desse unguento equivalia a uma soma igual aos ganhos de um homem durante um ano – o suficiente para dar pão a cinco mil pessoas. Maria, todavia, amava Jesus; e havia adquirido esse ungüento precioso, com o qual embalsamar o seu corpo na morte, pois acreditara nas palavras dele, quando Jesus avisou-lhes de antemão que iria morrer; e então não se lhe podia recusar nada por haver mudado e idéia e decidido fazer essa oferta ao Mestre enquanto estava vivo.Tanto Lázaro quanto Marta sabiam que Maria vinha há muito tempo economizando o dinheiro com o qual comprar esse frasco de óleo de nardo, e eles aprovavam sinceramente que ela agisse, como o seu coração desejava, pois tinham posses e podiam facilmente arcar com uma tal oferta.Quando os sacerdotes principais ouviram sobre esse jantar para Jesus e Lázaro, na Betânia, eles começaram a aconselhar-se entre si quanto ao que deveria ser feito com Lázaro. E decidiram imediatamente que Lázaro também devia morrer, concluindo, não sem acerto, que seria inútil levar Jesus à morte, caso permitissem que Lázaro, que havia sido ressuscitado dos mortos, vivesse.
2. NO DOMINGO DE MANHÃ COM OS APÓSTOLOSNesse domingo pela manhã, no magnífico jardim de Simão, o Mestre reuniu os doze apóstolos em volta de si e deu-lhes as instruções finais e preparatórias para entrarem em Jerusalém. Disse-lhes que provavelmente daria várias palestras e ensinaria muitas lições antes de voltar para o Pai, mas aconselhou aos apóstolos absterem-se de fazer qualquer trabalho público durante a permanência, em Jerusalém, nessa Páscoa. Ele instruiu-lhes para que ficassem perto dele e para que “vigiassem e orassem”. Jesus sabia que muitos dos seus apóstolos e mesmo seguidores imediatos, então, portavam espadas escondidas consigo, mas ele não fez menção a esse fato.As instruções dessa manhã abrangiam um breve resumo das suas ministrações, desde o dia da ordenação de todos, perto de Cafarnaum, até esse dia em que todos se preparavam para entrar em Jerusalém. Os apóstolos ouviram em silêncio; e não fizeram perguntas.Cedo, naquela manhã, Davi Zebedeu havia passado a Judas os fundos obtidos com a venda dos petrechos do acampamento de Pela, e Judas, por sua vez, havia colocado a maior parte desse dinheiro nas mãos de Simão, o anfitrião deles, para que o guardasse, como antecipação às demandas da entrada deles em Jerusalém.Depois da conferência com os apóstolos, Jesus manteve uma conversa com Lázaro e instruiu-lhe que evitasse sacrificar a sua vida ao espírito de vingança do sinédrio. Em obediência a essa admoestação, poucos dias depois, Lázaro fugiu para a Filadélfia, antes que os oficiais do sinédrio enviassem homens para prendê-lo.De um certo modo, todos os seguidores de Jesus perceberam a crise iminente, mas foram impedidos de compreender a seriedade dessa crise, por causa da alegria inusitada e bom humor excepcional do Mestre.
3. A PARTIDA PARA JERUSALÉMBetânia distava cerca de três quilômetros do templo e, naquela tarde de domingo, meia hora depois da uma, Jesus ficou pronto para partir rumo à Jerusalém. Tinha sentimentos de um afeto profundo pela Betânia e pelo seu povo simples. Nazaré, Cafarnaum e Jerusalém haviam-no rejeitado, mas a Betânia o havia aceito e acreditado nele. E foi nessa pequena aldeia, onde quase todos os homens, mulheres e crianças eram crentes, que ele escolheu efetuar a obra mais poderosa da sua auto-outorga na Terra, a ressurreição de Lázaro. Jesus não ressuscitou Lázaro para que os aldeões pudessem crer, e sim porque eles já criam.Durante toda a manhã, Jesus pensou sobre a sua entrada em Jerusalém. Até esse momento, ele havia sempre tentado impedir toda aclamação pública para si, como Messias, mas agora era diferente; aproximava-se o fim da sua carreira na carne, a sua morte havia sido decretada pelo sinédrio e nenhum mal poderia advir por ele permitir aos seus discípulos dar livre expressão aos próprios sentimentos, exatamente como poderia ocorrer se ele tivesse escolhido fazer uma entrada formal e pública na cidade.Jesus não se decidiu por fazer essa entrada pública em Jerusalém como um último apelo ao favorecimento popular, nem como uma tentativa final de obter o poder. Nem o fez, de todo, para satisfazer às aspirações humanas dos seus discípulos e apóstolos. Jesus não abrigava nenhuma das ilusões de um sonhador fantasioso; ele sabia muito bem qual seria o desenlace dessa visita.Tendo decidido fazer uma entrada pública em Jerusalém, o Mestre viu-se frente à necessidade de escolher um método adequado de executar essa resolução. Jesus pensou sobre todas as muitas chamadas profecias messiânicas, as mais e as menos contraditórias, mas parecia haver apenas uma que seria apropriada para ele seguir. A maior parte dessas declarações proféticas retratava o rei como um filho e sucessor de Davi, um audaz e enérgico libertador temporal de todo o Israel, do jugo do domínio estrangeiro. Mas havia uma passagem nas escrituras, algumas vezes associada ao Messias por aqueles que se atinham mais ao conceito espiritual da sua missão; e Jesus considerou que poderia utilizar coerentemente essa passagem como uma orientação para a entrada que projetava fazer em Jerusalém. Essa escritura encontra-se em Zacarias, e afirma: “Regozijai-vos grandemente, ó filha de Sion, dai gritos, ó filha de Jerusalém. Contemplai, o vosso rei vem a vós. Ele é justo e traz a salvação. Ele vem como alguém humilde, montado em um asno, em um jumento, filho de uma asna”.Um rei guerreiro sempre entraria em uma cidade montado em um cavalo; um rei, em uma missão de paz e de amizade, sempre entraria montado em um asno. Jesus não queria entrar em Jerusalém como um homem montado em um cavalo, mas queria entrar pacificamente e com boa vontade, montado em um burro, como o Filho do Homem.Durante muito tempo, Jesus havia tentado, por meio de ensinamentos diretos, inculcar nos seus apóstolos e discípulos a idéia de que o seu Reino não era deste mundo, que era uma questão puramente espiritual; mas não havia conseguido êxito no seu esforço. Agora, queria tentar realizar, mediante um gesto de apelo simbólico, o que não havia alcançado por meio de um ensinamento claro e pessoal. Em vista disso, imediatamente depois do almoço, Jesus chamou Pedro e João, e, depois de ordenar-lhes que fossem a Betfagé, uma aldeia vizinha, um pouco afastada da estrada principal e a uma pequena distância a nordeste da Betânia, disse-lhes: “Ide a Betfagé e, quando chegardes ao cruzamento dos caminhos, encontrareis o jumento de uma asna, amarrado ali. Soltai o jumento e trazei-no convosco. Se alguém vos perguntar por que fazeis isso, dizei meramente: ‘O Mestre tem necessidade dele’”. E, quando os dois apóstolos foram a Betfagé, como o Mestre lhes havia instruído, eles acharam o jumento atado perto da sua mãe, no caminho aberto e perto de uma casa, em uma esquina. Quando Pedro começou a desamarrar o jumento, o seu proprietário veio e perguntou por que faziam aquilo e, quando Pedro respondeu-lhe que Jesus havia mandado que o fizesse, o homem disse: “Se o vosso Mestre é Jesus da Galiléia, que ele tenha o jumento”. E assim voltaram trazendo consigo o asno.A essa altura, várias centenas de peregrinos haviam-se ajuntado em torno de Jesus e dos seus apóstolos. Desde o meio daquela manhã, os visitantes que passavam, a caminho da Páscoa, tinham ficado ali. Nesse meio tempo, Davi Zebedeu e alguns dos seus antigos companheiros mensageiros tomaram a si a incumbência de ir depressa a Jerusalém, onde eficazmente difundiram, entre as multidões de peregrinos visitantes nos templos, a notícia de que Jesus de Nazaré estava fazendo uma entrada triunfal na cidade. E, desse modo, vários milhares desses visitantes acudiram em massa para saudar esse profeta, autor de prodígios, de quem tanto se falava; e que alguns acreditavam ser o Messias. Essa multidão, saindo de Jerusalém, encontrou Jesus e a outra multidão que entrava na cidade, pouco depois de haver passado sobre o cume do monte das Oliveiras e começado a descida para a cidade.Quando a procissão saiu da Betânia, havia um grande entusiasmo em meio à multidão festiva de discípulos, crentes e peregrinos visitantes; muitos procedentes da Galiléia e Peréia. Pouco antes de partirem, as doze integrantes do grupo original das mulheres, acompanhadas de alguns dos seus amigos, chegaram e juntaram-se a essa procissão única que se movia alegremente na direção da cidade.Antes de partirem, os gêmeos Alfeus puseram os seus mantos no jumento e seguraram-no, enquanto o Mestre subia nele. À medida que a procissão movia-se para o topo do monte das Oliveiras, a multidão festiva jogava peças de roupa no chão e segurava os ramos das árvores próximas, para fazer um tapete de honra ao asno que trazia o Filho real, o Messias prometido. Enquanto a multidão feliz movia-se na direção de Jerusalém, todos começaram a cantar, ou a gritar em uníssono o salmo: “Hosana ao filho de Davi; abençoado é ele que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. Abençoado seja o Reino que vem do céu”.Jesus mantinha-se alegre e jovial, durante o trajeto, até chegarem ao cume do monte das Oliveiras, de onde se tinha uma visão plena das torres do templo; e o Mestre deteve ali a procissão; e um grande silêncio apoderou-se de todos, quando o viram chorando. Baixando o olhar sobre a vasta multidão que vinha da cidade para saudá-lo, o Mestre, com muita emoção e com uma voz chorosa, disse: “Ó Jerusalém, se tivesses apenas sabido, tu também, ao menos neste teu dia, as coisas que pertencem à tua paz, e que tu poderias tão livremente ter tido! Mas agora essas glórias estão a ponto de serem ocultadas dos teus olhos. Tu estás a ponto de rejeitar o Filho da paz e dar as tuas costas ao evangelho da salvação. Em breve virão os dias em que os teus inimigos abrirão uma trincheira em torno de ti e te assediarão por todos os lados; e irão destruir-te por completo, de modo que não ficará pedra sobre pedra. Tudo isso acontecerá a ti porque tu não reconheceste o momento da tua visitação divina. Estás a ponto de rejeitar a dádiva de Deus; e todos os homens te rejeitarão”.Quando ele terminou de falar, eles começaram a descer o monte das Oliveiras e em breve a multidão de visitantes, que havia vindo de Jerusalém, juntou-se a eles, agitando no ar os ramos de palmas, gritando hosanas e expressando de outras maneiras o seu regozijo e a boa irmandade. O Mestre não havia planejado que essas multidões viessem de Jerusalém para encontrá-los; aquilo tinha sido obra de outras pessoas. Ele nunca premeditou nada que fosse ostensivo ou dramático.Junto com a multidão, que afluía para dar as boas-vindas ao Mestre, vieram também vários dos fariseus e outros inimigos de Jesus. Estavam tão perturbados por essa súbita e inesperada explosão de aclamação popular que temeram prendê-lo, pois uma ação assim poderia precipitar uma revolta aberta da população. Eles temiam em muito a atitude do grande número de visitantes, que haviam ouvido falar bastante de Jesus e que, vários deles, acreditavam nele.Ao aproximar-se de Jerusalém, a multidão tornou-se mais expressiva, tanto que alguns dos fariseus adiantaram-se, indo até Jesus, para dizer: “Instrutor, deverias repreender os teus discípulos e exortá-los a comportarem-se mais convenientemente”. Jesus respondeu: “Conveniente é que esses filhos dêem as suas boas-vindas ao Filho da paz, que foi rejeitado pelos principais sacerdotes. Inútil seria pará-los, pois, no seu lugar, essas pedras ao longo da estrada começariam a gritar”.Os fariseus apressaram-se para ir à frente da procissão e voltar ao sinédrio, que então estava reunido no templo; e eles relataram aos seus amigos: “Vede, tudo o que fazemos não serve de nada; estamos sendo confundidos por esse galileu. O povo ficou louco por causa dele; se não pararmos esses ignorantes, todo o mundo o seguirá”.Realmente não cabia atribuir um significado mais profundo a essa explosão superficial e espontânea de entusiasmo popular. Essas boas-vindas, embora tenham sido alegres e sinceras, não indicavam qualquer convicção verdadeira ou profunda nos corações dessa multidão festiva. Essas mesmas multidões ver-se-iam igualmente dispostas a rejeitar Jesus rapidamente, mais tarde, nessa mesma semana, quando o sinédrio tivesse tomado uma posição firme e decidida contra ele, e quando eles ficassem desiludidos – quando eles entendessem que Jesus não iria estabelecer o Reino de acordo com as expectativas nutridas durante tanto tempo por eles.Toda a cidade, contudo, via-s fortemente agitada, a um ponto em que todos perguntavam: “Quem é este homem?” E a multidão respondia: “Este é o profeta da Galiléia, Jesus de Nazaré”.4. A VISITA AO TEMPLOEnquanto os gêmeos Alfeus devolviam o jumento ao seu proprietário, Jesus e os dez apóstolos destacavam-se dos seus seguidores imediatos e davam uma volta pelo templo, vendo os preparativos para a Páscoa. Nenhuma tentativa foi feita para molestar Jesus, pois o sinédrio temia muito o povo; e essa era, afinal, uma das razões que Jesus tinha tido para permitir que a multidão o aclamasse assim. Os apóstolos pouco compreenderam que era essa a única forma humana de proceder, que poderia ter sido eficaz para impedir a prisão imediata de Jesus, ao entrar na cidade. O Mestre desejava dar aos habitantes de Jerusalém, aos notáveis e aos humildes, bem como às dezenas de milhares de visitantes da Páscoa, mais essa última oportunidade para ouvirem o evangelho e receberem o Filho da paz se assim o quisessem.E agora, que a tarde caía e as multidões partiam em busca de alimentos, Jesus e os seus seguidores diretos foram deixados a sós. Que dia estranho havia sido aquele! Os apóstolos estavam pensativos, mas nada diziam. Nunca, em todos os anos da sua associação com Jesus, haviam presenciado um dia como aquele. Por um momento sentaram-se perto do tesouro do templo, observando o povo jogar ali as suas contribuições: os ricos pondo muito na caixa coletora e todos dando de acordo com as suas posses. Ao final chegou ali uma viúva pobre, miseravelmente vestida, e eles perceberam que ela jogara duas moedas (pequenas peças de cobre) na corneta. E então Jesus disse, chamando a atenção dos apóstolos para a viúva: “Guardai bem o que acabastes de ver. Esta pobre viúva jogou ali mais do que todos os outros, pois todos os outros puseram lá uma pequena fração do seu supérfluo, como dádiva, mas esta pobre mulher, mesmo estando em necessidade, deu tudo o que tinha, até mesmo aquilo de que necessitava”.Enquanto a tarde caía, eles caminharam pelas praças do templo em silêncio e, após Jesus haver observado essas cenas familiares, uma vez mais, relembrando as suas emoções de visitas passadas, não se esquecendo das primeiras, ele disse: “Vamos à Betânia para descansar”. Jesus, junto com Pedro e João, foram para a casa de Simão, enquanto os outros apóstolos alojaram-se com os seus amigos na Betânia e Betfagé.5. A ATITUDE DOS APÓSTOLOSNesse domingo à tarde, ao voltarem à Betânia, Jesus caminhou à frente dos apóstolos. Nenhuma palavra foi pronunciada até que eles separaram-se, depois de chegarem à casa de Simão. Jamais doze seres humanos experimentaram emoções tão diversas e inexplicáveis, como as que surgiam agora nas mentes e nas almas desses embaixadores do Reino. Esses robustos galileus encontravam-se confusos e desconcertados; não sabiam o que esperar em seguida, estavam surpresos demais para sentirem medo. Nada sabiam dos planos do Mestre para o dia seguinte, e não fizeram perguntas. Foram para os seus alojamentos, ainda que não dormissem muito, exceto os gêmeos. Contudo, não montaram uma guarda armada para Jesus na casa de Simão.André estava profundamente desnorteado, quase confuso. Foi o único apóstolo que não tentou avaliar seriamente a explosão popular de aclamação. Seu pensamento estava por demais ocupado, com a responsabilidade de dirigente do corpo apostólico, para dar uma atenção mais séria ao sentido ou à significação dos altos hosanas da multidão. André estava ocupado dando atenção a alguns dos seus companheiros que, ele temia, se pudessem deixar levar pelas próprias emoções durante a agitação, particularmente Pedro, Tiago, João e Simão zelote. Durante esse dia e nos dias imediatamente seguintes, André foi dominado por sérias dúvidas, mas nunca transmitiu qualquer dessas apreensões aos seus colegas apóstolos. Encontrava-se preocupado com a atitude de alguns dentre os doze que, ele sabia, estavam armados com espadas; mas não sabia que o seu próprio irmão, Pedro, portava tal arma. E assim a procissão a Jerusalém causou uma impressão relativamente superficial sobre André; ele estava preocupado demais com as responsabilidades do seu cargo para ser afetado por outras coisas.Simão Pedro inicialmente ficou muito impressionado com a manifestação popular de entusiasmo; no entanto ele estava consideravelmente equilibrado, no momento em que retornaram para a Betânia, naquela noite. Pedro simplesmente não podia imaginar o que o Mestre pretendia fazer. Estava terrivelmente desapontado com o fato de Jesus não haver reforçado essa onda de favorecimento popular, com alguma espécie de pronunciamento. Pedro não conseguia compreender por que Jesus não falou à multidão quando eles chegaram ao templo, nem ao menos permitiu que um dos apóstolos se dirigisse à multidão. Pedro era um grande pregador, e ficava desgostoso por perder uma audiência tão grande, receptiva e entusiasta. Ele gostaria tanto de ter pregado o evangelho do Reino àquela multidão ali, na praça do templo; o Mestre, todavia, havia proibido especialmente que eles fizessem qualquer pregação ou dessem ensinamentos, enquanto estivessem em Jerusalém, nessa semana de Páscoa. A reação, à procissão espetacular, ao chegar à cidade foi desastrosa segundo Simão Pedro; à noite ele estava comportado, mas tomado por uma tristeza inexprimível.Para Tiago Zebedeu, esse domingo foi um dia de perplexidade e de profundo embaraço; ele não podia captar o significado daquilo que estava acontecendo; não podia compreender o propósito do Mestre ao permitir as aclamações desvairadas e então se recusar a dizer sequer uma palavra ao povo, quando chegaram ao templo. Quando a procissão ia, monte das Oliveiras abaixo, em direção a Jerusalém, mais especificamente quando passou pelos milhares de peregrinos que afluíam para dar as boas-vindas ao Mestre, Tiago encontrava-se cruelmente dilacerado por emoções conflitantes de exaltação e de satisfação, pelo que ele viu e pelo profundo sentimento de medo quanto ao que aconteceria no momento em que chegassem ao templo. E, então, ficou abatido e dominado pelo desapontamento, quando Jesus desceu do jumento e caminhou comodamente pelas praças do templo. Tiago não podia compreender a razão para se jogar fora uma oportunidade tão magnífica de proclamar o Reino. À noite, a sua mente ficou fortemente presa nas garras de uma incerteza angustiante e horrível.João Zebedeu chegou perto de compreender por que Jesus havia feito aquilo; ao menos em parte ele captava o significado espiritual dessa suposta entrada triunfal em Jerusalém. À medida que a multidão movia-se na direção do templo, e à medida que João contemplou o seu Mestre, assentado sobre o jumento, ele lembrou-se de ouvir uma certa vez Jesus citar a passagem da escritura, na declaração de Zacarias, que descrevia a vinda do Messias como um homem de paz que, montado em um asno, entrava em Jerusalém.E João, ao revirar essa escritura na sua mente, começou a compreender a significação simbólica desse cortejo de domingo à tarde. Ao menos ele captou, do significado dessa escritura, o suficiente para capacitá-lo a desfrutar do episódio de algum modo e para impedir que ficasse por demais deprimido ao final, aparentemente sem propósito, da procissão triunfal. João possuía um tipo de mente que de modo natural inclinava-se para sentir e pensar por meio de símbolos.Filipe estava inteiramente transtornado pelo inesperado e pela espontaneidade daquela explosão. Ele não podia ordenar suficientemente os seus pensamentos, enquanto descia o monte das Oliveiras, a ponto de chegar a uma opinião determinada sobre o que aquela manifestação poderia significar. De um certo modo, ele desfrutou do espetáculo já que era em honra ao seu Mestre. No momento em que chegaram ao templo, ele ficou perturbado pelo pensamento de que Jesus pudesse possivelmente pedir-lhe que alimentasse a multidão, e tanto assim que a conduta de Jesus, ao afastar-se comodamente da multidão, e que desapontou tão sofridamente à maioria dos apóstolos, havia sido um grande alívio para Filipe. As multidões, algumas vezes, haviam sido uma grande provação para o administrador dos doze. Depois de aliviar-se desses medos pessoais, quanto às necessidades materiais das multidões, Filipe juntou-se a Pedro na expressão de desapontamento, por nada haver sido feito para dar ensinamentos à multidão. Naquela noite, Filipe pôs-se a refletir sobre essas experiências e foi tentado a duvidar de toda idéia do Reino; ele imaginou honestamente o que podiam significar todas essas coisas, mas não expressou as suas dúvidas a ninguém; ele amava demais a Jesus. E tinha uma grande fé pessoal no Mestre.À parte os aspectos simbólicos e proféticos, Natanael chegou o mais próximo possível de compreender as razões que o Mestre tinha para angariar o apoio popular dos peregrinos da Páscoa. Ele estivera pensando, antes de chegarem ao templo, que, sem o aspecto convincente daquela entrada em Jerusalém, Jesus teria sido preso pelos oficiais do sinédrio e jogado na prisão, no momento em que se atrevesse a entrar na cidade. E, portanto, ele não estava nem um pouco surpreso de que o Mestre não fizera nenhum uso das multidões alegres, depois de penetrar paredes adentro da cidade e de ter assim impressionado tão poderosamente os líderes judeus a ponto de fazê-los absterem-se de colocá-lo imediatamente na prisão. Compreendendo a verdadeira razão pela qual o Mestre teria entrado na cidade dessa maneira, Natanael naturalmente seguiu adiante mais equilibrado e menos perturbado e desapontado, do que os outros apóstolos, pela conduta subseqüente de Jesus. Natanael depositava grande confiança no entendimento de Jesus a respeito dos homens, tanto quanto na sua sagacidade e habilidade para lidar com as situações difíceis.Mateus, a princípio, esteve confuso por causa da manifestação espetacular. Ele não captou o significado daquilo que os seus olhos estavam vendo, até que também ele se lembrasse da escritura de Zacarias, em que o profeta havia aludido ao júbilo de Jerusalém, porque o seu rei viera trazer a salvação, montado em um jumento de asno. Enquanto a procissão rumava em direção à cidade, dirigindo-se logo para o templo, Mateus ficou extasiado; ele estava seguro de que algo extraordinário aconteceria, quando o Mestre chegasse ao templo, à frente dessa multidão aclamadora. Quando um dos fariseus zombou de Jesus, dizendo: “Olhai, todo mundo, vide quem vem lá; o rei dos judeus montado em um asno!”, Mateus só conseguiu não lhe pôr as mãos em cima a custo de um grande esforço. Nenhum dos doze estava mais deprimido, no caminho de volta para a Betânia, naquele entardecer. Junto com Simão Pedro e Simão zelote, Mateus experimentava uma tensão nervosa a mais alta e, à noite, estava em um estado de exaustão total. Mas pela manhã Mateus ficou mais animado; afinal, ele sabia ser um bom perdedor.Tomé era o homem mais desnorteado e perplexo de todos os doze. Durante a maior parte do tempo apenas limitou-se a seguir os demais, contemplando o espetáculo e perguntando-se honestamente qual poderia ser o motivo do Mestre ao participar de uma manifestação tão peculiar. No fundo do seu coração ele considerava toda a representação um pouco infantil, se não absolutamente tola. Ele nunca havia visto Jesus fazer nada semelhante e não sabia como explicar a sua estranha conduta nessa tarde de domingo. No momento em que eles chegaram ao templo, Tomé havia deduzido que o propósito dessa manifestação popular era amedrontar o sinédrio de um tal modo que não ousasse prender imediatamente o Mestre. No caminho de volta para a Betânia, Tomé pensou muito, mas nada disse. Na hora de deitarem-se, a habilidade do Mestre em organizar a entrada tumultuada em Jerusalém hava começado a exercer um apelo ao seu senso de humor, e ele estava contente e aliviado por tal reação.Esse domingo começou por ser um grande dia para Simão zelote. Ele teve visões de feitos maravilhosos em Jerusalém, nos próximos poucos dias, e nisso ele tinha razão, mas Simão sonhara com o estabelecimento de um novo governo nacional dos judeus, com Jesus no trono de Davi. Simão via os nacionalistas entrando em ação tão logo esse reino fosse anunciado, e ele próprio no comando supremo das forças militares reunidas do novo reino. A caminho do monte das Oliveiras, visualizou mesmo o sinédrio e todos os seus simpatizantes mortos antes do entardecer daquele dia. Acreditara realmente que algo grandioso ia acontecer. Ele havia sido o homem mais barulhento de toda a multidão. Às cinco horas daquela tarde ele era um apóstolo silencioso, abatido e desiludido. E nunca se recuperou totalmente da depressão que se estabeleceu nele, como resultado do choque desse dia; ao menos não até muito depois da ressurreição do Mestre.Para os gêmeos Alfeus esse foi um dia perfeito. Eles realmente desfrutaram desse dia todo o tempo, e, não estando presentes durante o tempo da visita tranquila ao templo, se livraram bem do anticlímax que foi o alvoroço popular. Certamente não poderiam compreender o comportamento abatido dos apóstolos, quando regressaram à Betânia naquela noite. Na memória dos gêmeos este viria a ser sempre o dia, aqui na Terra, em que eles estiveram o mais perto do céu. Esse dia havia sido o ponto mais alto de toda a sua carreira como apóstolos. E a memória da euforia dessa tarde de domingo sustentou-os durante toda a tragédia dessa semana memorável, até a hora da crucificação. Foi a entrada mais digna de um rei, que podia ser imaginada pelos gêmeos; e eles desfrutaram de cada momento do espetáculo. E aprovaram absolutamente tudo o que viram, conservando tudo na memória por muito tempo.De todos os apóstolos, Judas Iscariotes foi o mais adversamente afetado por essa procissão de entrada em Jerusalém. A sua mente estava desagradavelmente agitada por causa da repreensão feita pelo Mestre, no dia anterior, em relação à unção realizada por Maria, na festa na casa de Simão. Judas estava desgostoso com todo o espetáculo. Parecia-lhe infantil, se não de fato ridículo. E, à medida que esse apóstolo vingativo presenciava os acontecimentos dessa tarde de domingo, para ele Jesus parecia assemelhar-se mais a um palhaço do que a um rei. Ele ressentia-se sinceramente com todo o espetáculo. E compartilhava da visão dos gregos e dos romanos, que desprezavam qualquer um que consentisse em montar num asno ou no jumento de uma mula. No momento em que a procissão triunfal entrou na cidade, Judas decidiu abandonar a idéia de um tal reino; e quase resolveu desistir de todas as absurdas tentativas de estabelecer o Reino do céu. No entanto, logo se lembrou da ressurreição de Lázaro e de muitas outras coisas, decidindo-se a ficar com os doze, ao menos por mais um dia. Além disso, levava a bolsa, e não iria desertar com os fundos apostólicos no seu poder.No caminho de volta à Betânia, naquela noite, a sua conduta não parecia estranha, já que todos os apóstolos estavam igualmente abatidos e silenciosos.Judas deixou-se influenciar tremendamente pela zombaria dos seus amigos saduceus. Nenhum outro fator isolado exerceu uma influência tão poderosa sobre ele, na sua determinação final de abandonar Jesus e os companheiros apóstolos, como um certo episódio que ocorreu exatamente no momento em que Jesus chegara ao portão da cidade: um saduceu proeminente (um amigo da família de Judas) apressou-se até ele, com um espírito zombeteiro e, batendo-lhe nas costas, dissera: “Por que um rosto tão preocupado, meu bom amigo? Te anima e te junte a todos nós enquanto aclamamos a esse Jesus de Nazaré, que entra pelos portões de Jerusalém montado em um asno, como o rei dos judeus”. Judas nunca se havia retraído diante da perseguição, mas ele não podia suportar esse tipo de ridicularização. Ao seu sentimento de vingança, nutrido já há tanto tempo, somava-se agora esse medo fatal do ridículo, esse sentimento terrível e temível que é estar envergonhado do seu Mestre e dos seus companheiros apóstolos. No seu coração, esse embaixador ordenado do Reino era já um desertor; restava-lhe apenas encontrar alguma desculpa plausível para romper abertamente com o Mestre.
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COMUNHÃO COLETIVA COM O MANTO AZUL DA GRAÇA E COM A ONDA DA VIDA
COMUNHÃO COLETIVA COM O MANTO AZUL DA GRAÇA E COM A ONDA DA VIDA
Nova prática do espaço diário de Alinhamento das 19 horas, hora francesa no relógio, a contar de 02 de abril de 2012, segundo as informações comunicadas por UM AMIGO em 17 de março de 2012:
“Nós os convidamos, então, toda noite, às 19 horas (hora francesa), a viver não mais um Alinhamento de serviço, para o Ancoramento da Luz, mas, sim, para permanecer presentes a vocês mesmos, tranquilos, qualquer que seja a posição (deitados, de pé, sentados, não importa).
Qualquer que seja a posição dos seus membros, qualquer que seja a posição da sua boca, quer seja de olhos abertos ou fechados, simplesmente, estejam presentes, durante este período. Isso será, para vocês, uma oportunidade de viver, de maneira serena, a Onda da Graça até o momento da Ressurreição. Esse momento pede, simplesmente, para se lembrar do que eu disse nesse dia: mantenham-se tranquilos, permanecem em paz e, sobretudo, nada façam”.Esta prática anula e substitui aquela da Conexão à Merkabah coletiva ou Alinhamento Vibral, no período das 19h00 às 19h30 (hora francesa) (*), a contar de 02 de abril de 2012. (*) - a partir de 25.03.2012 - das 14h00 às 14h30 (hora de Brasília), das 18h00 às 18h30 (hora de Lisboa)http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=831
Enviado por RosaElaborado por Zulma Peixinhohttp://portaldosanjos.ning.comM.M - http://minhamestria.blogspot.com/C.R.A - http://a-casa-real-de-avyon.blogspot.com/
MA ANANDA MOYI - 31-03-2012 - AUTRES DIMENSIONS
Áudio em francês.Eu sou MA ANANDA MOYI. Irmãos e Irmãs na humanidade, partilhemos, primeiro, o Dom da Graça.… Partilhamento do Dom da Graça …As palavras que eu vos darei serão trazidas pelo Manto Azul da Graça e pelo Dom da Graça, abrindo no que vocês São, se isso ainda não está feito, a abordagem indizível do Êxtase.O que eu tenho a dizer vem completar aquilo que eu já disse, assim como o que foi dito por GEMMA (ndr: GEMMA GALGANI), minha Irmã UNIDADE.Eu venho, portanto, a vós, enquanto Estrela AL da Vibração da alma, da Vibração do Fogo Redentor, aquele que traz o Manto Azul da Graça e vem desposá-lo sobre os vossos ombros, a fim de nascer, nos vossos pés, o Dom da Graça. Eu coloco em vocês, bem para lá das minhas palavras, no mesmo sentido da minha Presença aqui, e da vossa Presença aqui, os elementos que são, se vocês desejarem, para observar.Dentro de alguns dias, nós começaremos juntos, vocês e nós, uma Celebração. Esta Celebração é a que substituirá os vossos Alinhamentos das 19 horas (ndr: esta nova prática, efetiva a contar de 2 de Abril 2012, é descrita na seção «Protocolos a Praticar/ Protocolos Prioritários» do nosso site, sob o título «Comunhão coletiva no Manto Azul da Graça e na Onda da Vida»).
O que devia ser Semeado e Ancorado sobre a Terra, o foi, para lá mesmo de toda a esperança. A missão (se é que foi uma), não pessoal, foi a de trabalhar isso.Resta-vos viver, se isso ainda não foi feito, aquilo que vocês São, em Verdade, para lá mesmo dessa personalidade, para lá mesmo dessa Presença. Alguns, entre vós, viveram o que era para viver por antecipação. Outros, entre vós, vivem as premissas. E outros, enfim, não parecem viver nada por agora.E eu me dirijo a todos vocês (que o vivem ou ainda não): O Dom da Graça não está reservado, nem tem um eleito, nem tem um chamado, mas está inscrito mesmo na natureza de toda a Vida e de toda a Consciência. Como vos disseram e repetiram numerosos Anciãos, o que é para acolher, o que é para viver, é o Abandono do Si, ele mesmo, o Abandono de toda a inclinação qualquer que ela seja.Como eles vos disseram: fiquem tranquilos, não façam nada, estejam em Paz. Façam o que tiverem a fazer, nesse mundo ou em vocês, mas o Dom da Graça nasceu. Ele se eleva depois do núcleo central da Terra, vem ressoar em vós, sob os vossos pés. Venham então precipitar-se para o alto, num tempo que vos é próprio.Não há nada a fazer. Há simplesmente, pouco a pouco ou violentamente, que vos reconhecer como a seiva que sobe na árvore na primavera, sem se colocar questões, sob a ação, à vez, do sol e do aquecimento da Terra.Da mesma maneira, o vosso Ser abrasado nesta Alegria mística é a vossa natureza. Ele não é senão o Amor. Ele não é senão este Absoluto. O que quer que diga e o que quer que possa recusar a vossa personalidade, esta imensidade é a nossa Natureza, de todos, para lá de toda a Alegria, para lá de todo o Si, de toda a Presença, da toda a justificação ou de toda a interrogação.O Manto Azul da Graça, de qualquer modo, já trabalhou ao nível das Portas ATRAÇÃO/ VISÃO, para dirigir um fluxo consciente ao nível da Porta Estreita, a Porta OD. A ação conjunta da Luz Azul, no seio das Portas ATRAÇÃO/ VISÃO, conduziu, para alguns, à abertura desta Porta. Para outros, para sentir este Apelo e esta Majestade. Para outros, o momento ainda não veio. Qualquer que seja a vossa condição.E o que quer que seja que vocês vivam, num caso como no outro, fiquem tranquilos. Certamente, o que faz a pessoa (que vocês são ainda) vai muitas vezes tentar encontrar explicações, justificações, nas manifestações que vocês têm nas pernas ou no vosso corpo, explicando-as através de energias (de isto ou daquilo), explicando-as através de perturbações (de isto ou daquilo).Vão para lá da aparência e deixem Ser. O Dom da Graça, a Onda da Vida, é a vossa principal natureza, como a nossa. Num primeiro tempo, certamente, a pessoa tem a tendência de querer observar o que se passa, ou o que não se passa. É lógico. Lembrem-se: vocês são uma pessoa, aparentemente, que se observa a ela própria.Depois desta etapa, resta viver, na totalidade, o Manto Azul da Graça, o Dom da Graça, e deixar elevar-se, em vocês, a seiva que vos vem fazer Nascer, para de Verdade, ressuscitar, na totalidade. Num tempo e num espaço (que não são nem um tempo nem um espaço) onde não existe nenhuma questão porque, nisso, não há senão solução, não há senão evidência de vocês mesmos.Vocês se reconhecerão, então, uns e outros, onde quer que estejam sobre esta Terra, permitindo então o que é chamado este Casamento místico, vos dando a viver uma Comunhão total, bem para lá das pessoas, bem para lá de todo o apego, bem para lá de toda a ligação. O Dom da Graça está Libertado, esta Liberdade que vos dá a Autonomia total, como dizia o IRMÃO K. Extraindo-vos, de qualquer modo, de tudo o que é relativo, de tudo o que é efêmero, de tudo o que é Ilusório.Que arriscam vocês? Só se opõe aquele que é denominado o medo, não os vossos, mas aquele de toda a humanidade, de todos os Irmãos e Irmãs que lutam para encontrar o amor, para encontrar o que comer, para manter uma família.O Dom da Graça vos faz penetrar nos espaços sem luta, onde a única palavra que pode ser empregue é Evidência, que vem (como uma providência renovada a cada sopro) vos instalar na vossa Natureza.A Onda da Vida, este Dom da Graça, vivido e observado como se propagando nesse corpo, num dado momento, vocês o integrarão, tornando-se isso porque vocês não São senão isso. E então, a partir desse instante, nada mais poderá ser como antes. Vocês se reconhecerão uns aos outros, e vocês reconhecerão todo o Irmão e toda a Irmã (mesmo que se oponham a vocês) no mesmo Amor, no mesmo Dom da Graça. Não há nada a fazer. A Terra, Libertada, canta o seu Canto.O Céu deu o impulso. Vocês, e todos nós, Crianças do Céu e da Terra, nesta carne, nós trabalhamos. É tempo, agora, de tocar, de qualquer modo, o vosso salário da Eternidade, a vossa Ressurreição.Vocês não estão sonhando. Que dúvida poderia existir quando a Onda da Vida se instala em vocês? Vos tomando e vos levando, não longe desse corpo e longe dessa personalidade, mas vindo, de maneira definitiva, irremediável, vos abrir ao Amor, na totalidade. Não o amor tal como vocês o podem conceber, limitado, numa certa pessoa, mas nesse Amor que todo o ser humano, qualquer que seja, procura indefinidamente, mesmo na expressão mais oposta a esse Amor.Não julguem. Quer vocês vivam isso, já, ou quer não vivam nada, não julguem ninguém nem nenhuma circunstância, porque o julgamento é a própria essência da divisão, porque o julgamento está no oposto do Amor, e afasta, de vocês, o Amor. Nenhum julgamento deve ser feito, nem sobre vós, nem sobre qualquer um.Coloquem-se neste partilhamento do Dom da Graça, aqui mesmo. Apoiem-se nos vossos Irmãos e vossas Irmãs que o vivem porque eles se tornaram o Dom total da Vida. E não pode ser de outra forma porque a Onda da Vida não pode ser parada, nem dirigida, nem mesmo travada. Quando a seiva sobe, ela não pode mais descer, ela não pode senão Irradiar, no mesmo Amor, toda a consciência, toda a Vida. Então, absorvam isso. Não há ninguém a seguir. Há apenas que aproveitar, alimentar-se desta partilha, deste Dom.A seiva da Terra atingirá o seu máximo (cada dia ainda mais elevado e intenso) a partir de 2 de abril. Nós convidamos, e nós vos pedimos para convidar, o conjunto da Terra a partilhar, não só através da expressão de uma qualquer vontade, mas antes nesse dom de si mesmo do Dom da Graça.Isso é natural, isso não vos pede nenhum esforço, nem nenhuma vontade: simplesmente, deixar Ser, deixar fazer. Virá um momento (se ainda não é o caso) em que vocês se fundirão nesta última Verdade, neste Absoluto. Aí, tudo aquilo que, minutos antes vos parecia sofrimento e separação, desaparecerá, porque o vosso olhar sobre o que vos parecia separado não poderá mais existir, não poderá mais manter-se.Da mesma forma, como certas experiências vos foram contadas, vocês poderão observar uma paisagem, qualquer que seja, ou um ser amado, com um olhar exterior: mesmo se este olhar exterior estiver repleto de compaixão e de amor, ele permanece exterior. O Dom da Graça vos faz fundir na totalidade, com o que vocês observam. Vos permitindo, pelos princípios denominados Deslocalização, não mais ser apenas uma pessoa, apenas esta vida, apenas estes prazeres e estes sofrimentos, mas tornar-se o Absoluto.Certamente, o mental vai tentar, de qualquer modo (e é o seu papel), vos dizer que vocês não são dignos, que isso não existe já que vocês não o vivem, ou que isso é ainda uma etapa, ainda uma Ilusão. Não escutem o que vos pode dizer, o que quer que seja. Escutem, simplesmente, o Canto da Vida e do Êxtase que sobre em vocês, nesse Templo.Eu tenho necessidade de vos dizer: tenham confiança. Como podem vocês ter medo? Como podem vocês duvidar? Isto está, certamente, presente em todas as pessoas mas, a partir do instante, ou do momento, em que vocês serão literalmente absorvidos pela Onda da Vida, nada mais poderá ser como antes. E, no entanto, vocês não perdem nada, vocês não podem senão ganhar a vossa Eternidade, essa Beatitude infinita daquilo que vocês São, para lá mesmo dessa personalidade, para lá mesmo de toda a vida aqui em baixo.Vocês nunca mais estarão separados, divididos ou fragmentados. Nunca mais vocês poderão abrigar a menor dúvida. Vocês serão, então, a exata Verdade daquilo que vocês São. E isso é para todos e para cada um. Quer o vivam agora, quer o vivam mais tarde, lembrem-se que isso é para todos.Vocês São esta Eternidade. Certamente, o ego não o pode conceber, isso foi exprimido, de maneira bem completa, por mim. Definitivamente, que querem vocês? E definitivamente, quem são vocês? Não retenham nada. Estejam Presentes. Escutem e percebam, se quiserem, e observem, a Onda da Vida, mas lembrem-se que vocês não podem fazer nada. Deixam-na subir, deixem-na Ser, porque é o que vocês São. Vocês não são estritamente nada senão este êxtase permanente, esta capacidade de viver, com cada coisa, com cada ser, na mesma Comunhão, no mesmo partilhamento do Dom da Graça.Nenhuma separação poderá reter-se sobre esta Terra, porque, cada dia, vocês são mais numerosos a viver esta Unidade e esta Graça. Porque este movimento, se assim podemos denominar a Onda de Graça, é infinito: nenhuma Criação poderá ser mantida sem a Presença dela. Não julguem. Deixem simplesmente ser.Não se ocupem de nada mais. Sigam o vosso caminho, continuem a trabalhar no que a Vida vos propôs percorrer, ou parar, ou transformar, mas não se ocupem de nada mais. A seiva sobe, o que quer que possam pensar as folhas que vêm, o que quer que possam pensar os ramos que ainda não nasceram. A Onda da Graça é, ela também, Inteligente e Inteligência. Ela vem, de qualquer modo, dar os ajustamentos finais e reajustar totalmente o que o deve ser. Viver o Êxtase, instalar-se no Êxtase, lembrem-se, é a vossa Natureza. Nada mais pode permanecer perante esta evidência. Cada minuto será então ação da Graça, estado de providência, estado onde vocês São Tudo, totalmente.As minhas palavras, como as de cada interveniente, não são unicamente uma energia ou uma Consciência que desce até vós, uma Consciência exterior. Esta Consciência são vocês mesmos, nós o dissemos. Só o olhar separado da personalidade, nesta humanidade, o fez exterior, lhe colocou uma distância, um particionamento. Isto termina. «Nós somos Um» não é um dogma, não é uma adesão, mas, realmente, uma vivência.
A partir do momento em que a Onda de Graça surgir em vocês, a partir do momento em que ela sobe, a partir do momento em que os últimos medos da humanidade forem transcendidos, vocês se tornarão a Transcendência, vocês se tornarão a beleza. E vocês constatam que é aquilo que vocês sempre foram, que isso esteve sempre lá, e que isso não é senão o jogo da personalidade ser, aparentemente, distante.Vocês são o Amor, vocês são o Êxtase, vocês são este Casamento com toda a Consciência. Não fiquem mais separados. Não fiquem mais divididos. Sejam, realmente, a beleza, e vocês verão que, sem o querer, sem o desejar, sem o impor, tudo mudará.Esta mudança, que não é uma, é de fato uma real transcendência, vos fazendo passar (como disseram os Anciãos) do limitado ao Ilimitado, do relativo ao Absoluto, da transformação à Transcendência. Vocês serão o Todo, vocês o São. Isso nunca cessou, isso nunca pode ser retirado ou removido.Cada dia, a Onda da Graça vai acabar de revelar o que a Luz Vibral empreendeu. Fundamentalmente, o Dom da Graça e a Luz Vibral (uma que desce e a outra que sobre) vão se unir. Vos dando este Último, este Absoluto. Aí, onde não podem existir senão respostas, senão soluções.O resto da vida se desenrolará, certamente, como se deve desenrolar até ao momento que a Terra o tiver escolhido. Vocês sabem que ela o escolheu, os sinais são inúmeros (eu falo dos vossos sinais Interiores). Quer a Evidência da Onda de Graça esteja aí, ou não, simplesmente, nessas premissas, a Ligeireza e a beleza vos estendem os braços.Como os anciãos vos disseram, não há mais ensinamento, há apenas que Ser aquilo que vocês São. Há apenas que pacificar aquilo que não está pacificado em vocês, não com raiva (fosse ela a mais justa), não com negação (de quem quer que seja ou do que quer que seja). Façam a Paz com vocês mesmos. Façam a Paz com o mundo inteiro. Porque vocês são a Paz. E enquanto essa Paz, esse Silêncio, não estiver aí, a resistência vos dá a impressão e a Ilusão de que vocês não são dignos, ou de que vocês não estão prontos.Isso será, sempre o jogo da personalidade, e não outro. Façam a Paz com vocês mesmos. Façam o que é bom, para vocês, para encontrar essa Paz, quer isso seja, como disseram algumas das minhas Irmãs, ir para a natureza (ndr: ver especialmente a intervenção de SNOW de 17 de março último), de andar no orvalho, de mudar na pessoa o que vos parece importante.Mas não façam disso uma finalidade, porque a finalidade não é essa. Vocês são o Dom da Graça. Vocês são o partilhamento da Graça. Vocês são esta União mística com o vosso Duplo, com o CRISTO, com a natureza, com cada Irmão, cada Irmã. Quebrando assim as reticências e os medos da pessoa que aí colocava, até ao presente, os seus próprios limites, as suas próprias barreiras, os seus próprios sofrimentos, os seus próprios engramas.
Não se ocupem mais disso, mas façam a Paz. E vocês verão (porque vocês viverão, na totalidade, a Onda da Graça): vocês se tornarão o que foi vivido porque vocês não São senão isso.Não há, nas minhas palavras, promessas, não há esperança, há apenas a evidência. Porque, de qualquer modo, como vos explicará um outro Ser, brevemente, isso é lógico, bem mais lógico que o sofrimento, bem mais lógico que a lei do carma da ação/reação, bem mais lógico que a s leis físicas deste mundo. Façam a Paz. Não julguem mais quem quer que seja ou o que quer que seja. Não projetem o amor porque vocês São o Amor. Não imaginem esta Onda da Vida porque ela é inimaginável.Deixem-se Ser, para lá do Abandono e da Luz, para lá do Abandono e do Si, ele próprio. Sejam Simples. Sejam Humildes. Sejam o mais pequeno sobre esta Terra. Não na negação ou na recusa de vocês mesmos, mas antes nesta Humildade sincera porque, quando o relativo da personalidade se faz mais pequeno, então o Todo e o Absoluto não podem senão estar presentes (consciencializados, de qualquer modo, num primeiro tempo) a fim de vos tornar, na totalidade, este Absoluto, num relativo, nesse corpo, em qualquer corpo.Nesta União mística, neste Casamento místico (com cada Ser, cada Consciência, com o Sol, no Sol, com o vosso próprio corpo, nesse corpo, com todo o ser humano), vocês não poderão mais erigir muros, vocês não poderão mais desviar-se de qualquer Irmão, ou qualquer Irmão, qualquer que seja, porque vocês são a mesma Onda, porque vocês são a mesma Graça. Porque é a mesma Luz que veio a vocês. Porque são as mesmas respostas que intervieram nas vossas Estrelas da cabeça, nas vossas Portas, nas vossas Lâmpadas, nas vossas Lareiras que se abriram, e nesse Fogo que foi revelado.E mesmo que vocês não tenham vivido nada de tudo isso, vocês estão ainda mais próximos da Verdade, do Absoluto. Esqueçam tudo o que vocês aprenderam. Esqueçam tudo o que vocês memorizaram. Esqueçam todo o sofrimento. Porque vocês não São isso: tudo isso é extremamente efêmero e não pode ir para lá do tempo desta vida, que é a vossa, entre o nascimento e a morte.Mas vocês não São nem o que nasceu, nem o que morre, E a Onda da Vida, o Dom da Graça, vem Cantá-lo, porque vocês são o Canto da Vida, porque vocês são o Canto da Graça. E é lógico, perfeitamente lógico. Este tempo particular da Terra vos reenvia para a Eternidade e para a Ilusão de todo o tempo.Que querem vocês arriscar? Que podem vocês perder? Que podem mesmo vocês ganhar? Não se coloquem mais questões. A Humildade é isso. A Simplicidade, é também aceitar a evidência do Amor, a evidência do KI-RIS-TI, a evidência de cada Irmão, de cada Irmã, sejam eles amados ou detestados, ainda, pela pessoa.Vocês não têm nada a vencer a não ser as vossas incertezas. Não há nenhuma resistência que possa subsistir quando a seiva sobe. Vocês São esta Eternidade. Comunguem com vocês mesmos, Comunguem com o Dom da Graça e partilhem, para lá de toda a carne, para lá de toda a possessão, e de toda a ligação.Poderemos mesmo dizer que não há nada mais próximo de vós do que aquilo que vocês rejeitaram, por uma razão ou por outra, que vos é própria. Certamente, para aqueles que observam, a Onda da Vida segue um certo circuito, uma certa lógica. Mas, a um dado momento, vocês não terão mais necessidade de alimentar a necessidade de perceção, a necessidade de observação.Nesse momento, vocês estarão prontos para comungar. E isso é agora. Cabe a vocês, somente a vocês. Enquanto existir a dúvida, a incerteza, isso não é senão o ego que pode se exprimir, a personalidade, ela mesma, e absolutamente mais nada. Porque, em algum lugar, o ego estará sempre ligado à sua vivência, aos seus sofrimentos, como às suas alegrias, o que quer que diga, o que quer que faça para se desembaraçar.Vocês são a Graça. Vocês são o Absoluto. Vocês são a beleza. Que pode haver mais? O tempo da Terra chegou. O que se passa em vocês, passa-se sobre a Terra. O que ainda não se passa em vocês, passará sobre a Terra e, portanto, em vocês.Só o mental vai tentar incutir uma separação, uma dúvida, porque o mental estará sempre fragmentado e não poderá jamais aceder ao desconhecido. Vocês são a Onda da Graça, para lá de toda a identificação com uma personalidade. Doravante, é a isto que todas as nossas palavras vos chamarão.A este Último, a este Absoluto, portador de toda a evidência - da mesma forma que a Luz vos chama (em certos momentos), a Onda da Vida vos chamará a cada momento, a casa sopro. Não se desviem da Vida porque vocês são a Vida. Porque não há outra Via do que Ser a Vida. Porque não há outra Verdade do que Ser o Amor e este êxtase.A Onda da Vida, vocês se aperceberão que ela pode ser mais compreensível (se é que posso dizer esta palavra), mais acessível, no espaço das vossas noites, no espaço dos vossos sonos, no espaço em que vocês se soltarem. Mas a partir do momento em que vocês se soltarem uma primeira vez, nada mais será como antes.Não estejam perturbados porque não existe nenhuma perturbação na pureza da Onda da Vida, na pureza daquilo que vocês São. Não se julguem mais. Mesmo se o vosso ego parece reivindicar seja o que for, em oposição ou em contradição com a Onda da Vida, isso não é grave, porque tudo isso passará, porque tudo isso é efêmero e não pode inscrever-se em nenhuma realidade definitiva. Vocês são Absoluto, nada mais.Nós somos vocês. Vocês são nós. Não há nenhuma outra presença, definitivamente, do que a Onda da Vida, este Dom da Graça a partilhar, este Êxtase a viver, tornando-se permanente. Vocês são a Verdade, não há outra Verdade. Vão para lá de tudo o que vos apareceu, até ao presente, como verdade. Vão para lá de todo o efêmero, para lá de todo o limite, para lá de toda a carne (tanto a vossa como outra).Amem-se uns aos outros, como ele vos Amou, e não como vocês desejariam amar, na pessoa, no limitado. Isso não é o Amor, isso era o medo e a dúvida: medo da falta, medo do abandono, medo da perda. Vocês não podem perder nada, não há nada a perder e nada a ganhar.Vocês são o Absoluto, vocês são Amor, o Caminho, a Verdade, a Vida. Bem para lá de todo o jogo, de todo o papel, de todo (mesmo) o destino espiritual, vocês são isso. Então, vivamos um momento de partilhamento da Graça e(se eu tiver tempo e se vocês tiverem necessidade, em relação aquilo que eu vos disse, em relação a este partilhamento) eu vos escutarei então. Mas antes, vivamos.… Partilhamento do Dom da Graça …E agora, escutemo-nos, escutemos o que nós temos a nos dizer, escutemos o que temos a nos dar, eu vos convido.Questão: A Onda da Vida penetra na nossa personalidade ilusória (nosso ego)?Sim, é ela que vem para vos matar e vos fazer ressuscitar. Vocês são a Ressureição. Quando eu digo que vocês se tornam a Onda da Vida, quando vocês se tornam esta permanência, esta imanência, que ego, que personalidade, poderia resistir? Vocês são levados à vossa Morada da Eternidade, de Verdade e de Beleza. Não há mesmo que se colocar esta questão.O ego não se pode apreender, de maneira nenhuma, da Onda da Vida. Enquanto o ego, até ao presente, podia viver a Luz e dela se apropriar e viver uma transformação (que vocês viveram, certamente).Mas a transformação não é a transcendência. A Onda da Vida é a vossa natureza principal, a Realidade Última, e não se embaraça no que é limitado, no que é efêmero, no que é julgamento, negação, dúvida ou Ilusão. A Onda da Vida está por todo o lado, absolutamente por todo o lado. Nada pode escapar, ou subtrair-se, ao que foi Libertado. Vos trazendo a Liberdade e, portanto, a Autonomia e, portanto, este desconhecido. Vos Libertando de todo o conhecido e de todo o limitado.Vocês são o desconhecido e não o conhecido. Este desconhecido que se implanta, esta seiva que sobe, subirá tanto mais quanto o conhecido se apagar. Não mais desdenhando ou pondo fim ao que quer que seja, mas antes como um convite a esta Vida nova, que É, de toda a Eternidade. Não existe nenhuma personalidade para reter e deter a Onda da Vida. Vocês não podem reter o que vocês São, na Verdade, nem deter o que vocês São. Vocês não podem ser senão o Dom, total, incondicional e incondicionado.Questão: Usar imãs sobre o corpo físico bloqueia a Onda da Vida?Querida Irmã, que pode existir que possa bloquear a Vida? Que pode existir, na superfície deste mundo, que possa resistir à Onda da Vida, mesmo na sua negação, mesmo na violência, a mais excecional que o ser humano seja capaz de infligir, ou de se infligir.Isso não pode, e não poderá mais, retê-la. Vocês o verão, aqui mesmo, se isso ainda não foi feito. O único bloqueio a vocês mesmos são vocês mesmos, em ressonância com as vossas dúvidas, com a personalidade, com o medo.Como poderia a Vida ser um pecado qualquer, um julgamento qualquer, se isso não estiver no mental ou no espírito humano, nos seus conhecimentos, todos relativos, nas suas crenças, todas efémeras?Lembrem-se: o Absoluto não pode ser conhecido no seio do que é conhecido. Mas o Absoluto não excluí a pessoa nem a personalidade, mas a engloba porque o Absoluto engloba e compreende todos os limitados, todos os relativos. Ninguém se pode opor, e nada se pode opor, à Verdade.Questão: Como é que as pessoas que não estão neste processo vão viver a Onda de Vida, em particular psiquicamente?Minha Irmã, a Onda da Vida não é nenhum processo, precisamente. A Onda da Vida não será jamais uma busca, nem uma espiritualidade, qualquer que ela seja.A Onda da Vida é evidência. Como é que mesmo aquele que nega a evidência pode persistir na negação da evidência? Isso não tem senão um tempo, isso não é senão efêmero.Que pode, definitivamente, recusar o Êxtase, recusar o Absoluto? Apenas o ego pode acreditar que isso é possível. Mas o ego, ele mesmo, é efêmero: ele está inscrito entre um nascimento e uma morte. Para lá disso, ele não existe, ele não tem nenhuma persistência e nenhuma consistência.A Onda da Vida é a plenitude, a ligeireza e a densidade do Amor. Mais uma vez, absolutamente nada se pode opor à Ressureição. Tudo o que é efêmero deve morrer na Eternidade, render-se a esta Eternidade, morrer para aquilo que é efêmero, a fim de Viver. Não há ego que mantenha, não há personalidade que se mantenha, não há mundo que se mantenha ou que possa resistir à Onda da Vida.Questão: Como estabilizar esta experiência de maneira permanente?Não há nada a fazer, aí também: apenas darem-se totalmente. Casem-se com vocês mesmos. A Onda instala-se, uma vez que ela nasce, para cada um, segundo o seu próprio ritmo. Não há nada a tentar favorecer. Cultivem a Paz. Cultivem a Humildade, a Simplicidade.Não sejam nada, estritamente nada das vossas crenças, nada das vossas Ilusões, nada das vossas possessões, nada dos vossos amores terrestres, nada de vocês mesmos. Vocês não podem controlar o que vocês São. Vocês não podem controlar o que vocês São.Nós não temos mais questões, nós vos agradecemos.Irmãos e Irmãs na humanidade, eu rendo graças, mais uma vez, no partilhamento do Dom da Graça e no Manto Azul, à nossa Comunhão. Eu vos digo, portanto, até breve, e instalemo-nos, no tempo de algumas respirações, nesta Eternidade.… Partilhamento do Dom da Graça …Até logo.Mensagem da Amada Ma Ananda Moyi no site francês:http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=139831 de março de 2012(Publicado em 01 de abril de 2012)Tradução para o português: Cris Marques e António TeixeiraM.M - http://minhamestria.blogspot.com/C.R.A - http://a-casa-real-de-avyon.blogspot.com/